Nem tudo aquilo que somos está visível à primeira vista.
A Automeris io, conhecida como Io Moth, guarda sua característica mais impressionante sob as asas anteriores. Quando repousa, os grandes ocelos de suas asas posteriores permanecem escondidos; diante de uma ameaça, a mariposa pode expô-los subitamente, criando um efeito de surpresa capaz de afastar predadores.
Na Coleção Selene, a Io encontra Clarice Lispector. A literatura de Clarice atravessa justamente aquilo que existe além da superfície: a experiência interior, o estranhamento e os instantes em que algo até então oculto se torna impossível de não perceber.
“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.”
— Clarice Lispector, Perto do Coração Selvagem (1943).
A Io não se torna outra coisa quando abre suas asas. Ela apenas revela aquilo que já carregava consigo.
A Presilha Io nasce dessa ideia de revelação do invisível: uma peça de contraste e intensidade, feita à mão e inspirada nos característicos ocelos de Automeris io.